Posts Tagged ‘tempo’

rise

16/11/2015

já faz tempo.
ainda penso em você mais horas do que gostaria. você ainda modifica meu humor. a gente vai levando, sem saber ao certo o que um pode e o outro deve. sem saber quando chegar ou quando partir, sem saber que lugar ocupar, como visita que senta na sala.
quando acordo, a cama ainda parece imensa. na verdade, tenho dormido mal. é na hora que encosto a cabeça no travesseiro que sinto tudo. tenho sonhos confusos, pesadelos, acordo como se estivesse atrasada. um turbilhão de sentimentos que se infiltra nos meus sonhos, pelas janelas fechadas dos meus olhos, e fica ali, quietinho, até resolver aparecer, com força total. acho que é assim que nascem as nossas lágrimas. lágrima é a nossa saudade em estado líquido. e quando alguém me pergunta de você – a vontade de lembrar é a vontade de esquecer. porque lembrar é doloroso. fica um gosto amargo na boca. das palavras ditas e não ditas. acho que de todos os maus que você me fez, o de não acreditar nas coisas que você me diz é o pior.

mas minha alma e memória compartilham do meu desejo de querer refrescar-se com novos e velhos ares. e entre todas as mágoas, você ainda me diverte. entre todas as lágrimas, eu ainda guardo sorrisos. então a cama vai continuar vazia, os armários terão mais espaços, a louça ficará menos suja. e eu vou ficar esperando que a desordem vire calma, as madrugadas repletas de paz e que meu coração se tranqüilize.
e que esse gosto amargo de fim, vire começo de uma nova vida.
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to catch up with the sun

10/01/2013

no dia 24/12, antes da noite do natal, como eu faço todo o ano, procurei minha máquina fotográfica. mas para o meu espanto, ela havia sumido. busquei pela casa toda, desmontei o armario e montei novamente repetidamente. remontei minha memoria dos últimos eventos buscando encontrar nela aquilo que eu não encontrava em casa. hum…viagem pra NY, não….festa de aniversário, não isso tinha sido em agosto….viagem a Dubai, não tinha levado. será que havia esquecido na praia? não, nós tínhamos ido para lá em Setembro e tenho certeza que vi a máquina lá depois disso. na falta de encontrar na memória, continuei buscando em casa. encontrei diversos outros objetos, aproveitei para organizar a casa e nada daquela máquina. ela nao era uma máquina qualquer. na verdade, nada é. era uma máquina que eu tinha ganhado do meu marido dois anos antes, quando ele ainda nem era o meu marido. uma máquina que tinha registrado a minha história nesse tempo. e isso me fez pensar exatamente nisso. nesse tempo. um tempo em que o que mais me faltou foi tempo. tempo para aproveitar os momentos. os amigos. o próprio tempo, por que não? tempo para organizar a vida, que não pára nunca e não te espera… ou tempo para não fazer nada, se fosse essa a minha escolha. e foi com esse pensamento que eu comecei a chorar. chorava pela máquina e pelo tempo. aquele objeto específico me fez reviver os últimos dois anos. essa máquina que havia sumido era a representação do meu tempo, que também sumira. ou havia ficado um pouco mais escasso. me mostrava que é preciso de tempo para cuidar daquelas coisas que são importantes para nós. cultivar os momentos, os amigos, as relações. é, minha cabeça louca pode voar as vezes, viu…um pouco mais conformada, comecei a noite do natal meio cabisbaixa, e a cada momento da noite em que pensava em tirar uma foto, lembrava da máquina. mas por outro lado, acabei tendo mais tempo para aproveitar a noite de fato e guardei as lembranças na memória, com registros da máquina que fica aqui ó, na minha cabeça. no final da noite, a máquina já não era tão importante assim. Mas sim, os momentos. e no dia 25/12 ganhei mais um presente. a máquina estava na casa dos meus irmãos, que haviam esquecido de me devolver. Papai Noel me dava o maior presente de todos. a máquina, e com ela o tempo. do passado e por que não, do futuro.

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far away across the field

06/09/2011

tava aqui pensando no tempo. na falta dele. no excesso. tempo para nada. tempo pra tudo. tempo até pra não fazer nada. tempo para construir, criar, viver. tempo para destruir, recriar, renascer.  pra mim, o tempo é uma unidade interna, então o meu tempo sempre vai ser diferente dos outros. o meu tempo vem do meu olhar sobre a vida.  é o compositor do meu destino. e cada dia dessa vida, cada passo desse meu destino,  é uma viagem única onde escrevo minha história. e percorrendo esse caminho, quantas vezes já não morri em minha própria história?  morri quando perdi algo importante, quando me surpreendi com os meus atos, quando  me surpreendi com os atos dos outros. morri para poder renascer. para me transformar. cada fato que nos transforma nos recria. pois é isso que é a vida. um ciclo de mortes e renascimentos. que precisam de tempo para acontecer. e que devem ser sempre bem vindos, pois dá respiro e areja as coisas.

a vida é tão grande quanto nossos sonhos, e é preciso ter tempo para aproveitá-los.  como dizem meus irmãos: “nossos sonhos dizem quem somos. viva cada dia como se fosse o último. cada dia é o último.”

same old beautiful thing

16/06/2010

sentada na praça ela pensava na vida.
ela não costumava ir à praças… devia fazer isso mais vezes, pensou, já interrompendo o pensamento na vida.

voltou a pensar na vida.

pensava na palavra “rotina” e seu corpo estremecia. sentia medo da mesmice do dia a dia.  esta palavrinha a assustava, pois vinha carregada de pensamentos negativos, sinônimo de momentos ruins, como placas invisíveis com avisos luminosos que piscavam “saia da rotina e vença”.
as escolhas da sua vida toda buscavam fugir deste monstro de 3 sílabas que aparentemente comia criancinhas. ui. até seus pensamentos seguiam uma ordem desordenada, para escapar das armadilhas da rotina. mas ela insistia em aparecer, de surpresa, como um bicão numa festa, sem ser convidada.

seu pensamento é interrompido mais uma vez, mas desta vez é um senhorzinho que senta ao seu lado no banco, dando-lhe bom dia. como todo vovô, ele queria apenas conversar. receber um pouco de atenção, um olhar. um sorriso.
sorriu de volta e ficou ali, ouvindo aquele homem com muitos e muitos anos lhe contando histórias da história dele. e aquele homem, aquelas histórias, a fizeram olhar a rotina de outra forma. e se a rotina fosse algo bom?

invadindo a mente dela sem saber, interrompendo seus pensamentos mais uma vez, ele sorri para ela e conclui:
– …mas poucas coisas na vida foram tão belas quanto a minha rotina.  eu dormir com a minha mulher todos os dias, por exemplo.

e ali, olhando seu sorriso, guardou aquelas duas frases, que acabaram ficando na sua cabeça nas semanas seguintes. como uma rotina.

hoje ela ainda não sabe se é algo bom, mas talvez a rotina seja mesmo um bem necessário ao ser humano. afinal, quem em sã consciência chamaria as lembranças e sentimentos daquele homem de uma coisa ruim?