rise

já faz tempo.
ainda penso em você mais horas do que gostaria. você ainda modifica meu humor. a gente vai levando, sem saber ao certo o que um pode e o outro deve. sem saber quando chegar ou quando partir, sem saber que lugar ocupar, como visita que senta na sala.
quando acordo, a cama ainda parece imensa. na verdade, tenho dormido mal. é na hora que encosto a cabeça no travesseiro que sinto tudo. tenho sonhos confusos, pesadelos, acordo como se estivesse atrasada. um turbilhão de sentimentos que se infiltra nos meus sonhos, pelas janelas fechadas dos meus olhos, e fica ali, quietinho, até resolver aparecer, com força total. acho que é assim que nascem as nossas lágrimas. lágrima é a nossa saudade em estado líquido. e quando alguém me pergunta de você – a vontade de lembrar é a vontade de esquecer. porque lembrar é doloroso. fica um gosto amargo na boca. das palavras ditas e não ditas. acho que de todos os maus que você me fez, o de não acreditar nas coisas que você me diz é o pior.

mas minha alma e memória compartilham do meu desejo de querer refrescar-se com novos e velhos ares. e entre todas as mágoas, você ainda me diverte. entre todas as lágrimas, eu ainda guardo sorrisos. então a cama vai continuar vazia, os armários terão mais espaços, a louça ficará menos suja. e eu vou ficar esperando que a desordem vire calma, as madrugadas repletas de paz e que meu coração se tranqüilize.
e que esse gosto amargo de fim, vire começo de uma nova vida.
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