when love takes over

o lençol e edredon espalhados pela cama enorme. e nós perdidos naquela imensidão de tecidos. perdidos dentro de nós mesmos. nossas pernas permaneciam entrelaçadas enquanto ele me olhava com toda a paciência. ele não queria desviar o olhar. nāo queria nada. estava na sua plenitude. eu sorrio e te dou um selinho demorado.
– vamos sair da cama? – eu pergunto. já começo a lutar contra os tecidos.
– não, o que tem fora da cama melhor do aqui? – vc faz uma careta hilariante, que me faz rir como uma boba.
– tem sol. e tem ovos e suco de laranja. tô faminta.
silêncio…
– ok, lá vamos nós. – ele bufa derrotado e então lutamos juntos contra as cobertas quentes pra nos depararmos com um chão frio. cato sua blusa surrada do Boston e caminho em direção a cozinha pra buscar os ovos e a laranja. não tem suco. nem ovos.
– bom dia. – era ele pertinho do meu pescoço arrepiado.
– bom dia. o suco acabou, vai comprar, pllllss?
– leite com nescau tá bacana pra mim hoje. – ele diz, dando uma risadinha malandra.
saio em direção à sala e a música invade a nossa casa até então silenciosa. eu não resisti à uma boa música. nunca resisto. puxo ele pra perto de mim, que começa a mexer o seu corpo meio que desastradamente. eu não me importo. a música é leve, é pura. a música somos nós na cozinha dançando enquanto as torradas saltam e esfriam. começo a rir. você se contagia. um beijo sem pressa e dane-se as torradas, o leite com nescau e o sol.
o que eu quero mesmo é o nosso mar de tecidos.

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